17 de Junho de 2010

Artigo de opinião que escrevi, publicado no Diário Económico de 2/06/2010

 

A actual crise económica portuguesa apresenta duas características que a tornam única na história recente do país. Por um lado afecta a sociedade de forma profundamente assimétrica, atingindo de forma violenta, através do desemprego e consequente perda de rendimento, os grupos sociais mais vulneráveis, nomeadamente mulheres e trabalhadores de baixas qualificações que ocupam postos de trabalho com contratos a termo. Por outro lado, esta crise coincide com uma transformação estrutural da economia portuguesa, na qual se destaca a progressiva diminuição do emprego nos sectores tradicionalmente intensivos em mão-de-obra não qualificada. Deste modo, se os tímidos sinais de recuperação do crescimento verificados no primeiro trimestre do ano contribuírem para algum aumento da procura de trabalho por parte das empresas, dificilmente o tipo de postos de trabalho oferecidos coincidirão com as características dos trabalhadores que actualmente mais dificuldades têm para reingressar no mercado laboral. Neste contexto, sem medidas adicionais em termos de política activa de emprego, não será de estranhar que o número de desempregados sem direito ao subsídio de desemprego aumente, pelo que poderemos estar na antecâmara de uma profunda crise social, agravada pelas recentes medidas de diminuição dos apoios sociais aos desempregados de longa duração.

publicado por João Cerejeira às 17:41

Um artigo de opinião que escrevi, publicado no Diário Económico de 19/04/2010

 

Nas últimas décadas do século passado, e nomeadamente após o final da “Guerra Fria”, vários países da alteraram as suas regras de recrutamento militar, entre os quais Portugal, Espanha e Itália, passando de regimes de serviço militar obrigatório para regimes assentes no voluntariado e em contratação profissionalizada. Mesmo assim, 15 países da OCDE ainda mantêm o serviço militar como obrigatório para os jovens do sexo masculino. Os efeitos macroeconómicos económicos do serviço militar são ainda pouco conhecidos, embora os estudos empíricos existentes apontem para efeitos negativos do serviço militar obrigatório no crescimento económico, nomeadamente pelo impacto negativo na acumulação de capital humano, seja por efeitos negativos nas taxas de escolaridade, seja na diminuição do tempo de experiência profissional. Mas num contexto de forte crescimento do desemprego jovem, que em Portugal ultrapassa os 21%, é de esperar que um número alargado de jovens opte pela alternativa oferecida pelo serviço militar prestado em regime de voluntariado ou de contrato, onde os incentivos financeiros e as perspectivas de continuação de uma carreira nas forças de segurança constituem um forte apelo. Assim, se no curto prazo a alternativa da carreira militar poderá mitigar os custos sociais e individuais da crise económica, permanece a dúvida quanto aos seus efeitos no longo prazo, nomeadamente quanto à relevância das qualificações adquiridas e a sua relevância futura aquando da integração na vida civil.

publicado por João Cerejeira às 17:37

João Cerejeira

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