17 de Junho de 2010

Um artigo de opinião que escrevi, publicado no Diário Económico de 19/04/2010

 

Nas últimas décadas do século passado, e nomeadamente após o final da “Guerra Fria”, vários países da alteraram as suas regras de recrutamento militar, entre os quais Portugal, Espanha e Itália, passando de regimes de serviço militar obrigatório para regimes assentes no voluntariado e em contratação profissionalizada. Mesmo assim, 15 países da OCDE ainda mantêm o serviço militar como obrigatório para os jovens do sexo masculino. Os efeitos macroeconómicos económicos do serviço militar são ainda pouco conhecidos, embora os estudos empíricos existentes apontem para efeitos negativos do serviço militar obrigatório no crescimento económico, nomeadamente pelo impacto negativo na acumulação de capital humano, seja por efeitos negativos nas taxas de escolaridade, seja na diminuição do tempo de experiência profissional. Mas num contexto de forte crescimento do desemprego jovem, que em Portugal ultrapassa os 21%, é de esperar que um número alargado de jovens opte pela alternativa oferecida pelo serviço militar prestado em regime de voluntariado ou de contrato, onde os incentivos financeiros e as perspectivas de continuação de uma carreira nas forças de segurança constituem um forte apelo. Assim, se no curto prazo a alternativa da carreira militar poderá mitigar os custos sociais e individuais da crise económica, permanece a dúvida quanto aos seus efeitos no longo prazo, nomeadamente quanto à relevância das qualificações adquiridas e a sua relevância futura aquando da integração na vida civil.

publicado por João Cerejeira às 17:37

João Cerejeira
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